12/01/2009

Raúl Candeloro: A história de um empreendedor nato

Carolina Stilhano 

Ele é fundador da Editora Quantum, e criador daVENDA MAIS, atualmente a maior revista de vendas do Brasil, com mais de 24.000 assinantes e mais de 30.000 visitas únicas por mês em seu site. 

Como ele mesmo define, a Editora Quantum tem a missão de “ajudar os clientes a vender mais, atender melhor e aumentar a lucratividade com iniciativa, ética, qualidade e criatividade”. 

Em 2004, lançou a newsletter Liderança – voltada para líderes em vendas; e a revista Motivação – voltada para todos os profissionais da área comercial. 

Conheça a história empreendedora de Raúl Candeloro, um dos palestrantes mais contratados do Brasil e autor de diversos livros. 

Carreira & Sucesso: Como começou a sua carreira? 

Pobre! Eu era estagiário numa agência de propaganda. Fiquei apenas 6 meses - fui demitido umas três vezes nesse tempo, mas sempre pediam para que eu voltasse. Sempre me achei que não era o tipo de pessoa para ser empregada de ninguém. Não nasci para ser funcionário (ou colaborador, como gostam de dizer os RH's). Desde a infância dizia que ia ter minha empresa. Saí para montar minha própria agência de marketing direto. Como ninguém sabia o que era Marketing Direto na época, eu só conseguia clientes 'no risco'. Ou seja, era remunerado por resultados. Eu fazia uma campanha de mala direta e, dependendo dos resultados de vendas, era remunerado ou não. 
Acontece que, para um de meus clientes no varejo, criamos uma campanha que encheu a loja de clientes, mas vendeu muito pouco. Fui pesquisar porque isso havia ocorrido e descobri que a equipe de vendas era péssima. Logo, passei a juntar material sobre técnicas de vendas para que os vendedores vendessem mais. Não era bem minha função, mas se eles não vendessem o suficiente, eu também não recebia. 
A partir daí, ter a idéia de vender o material que eu distribuía gratuitamente nos treinamentos foi uma evolução simples. 

Carreira & Sucesso: A Venda Mais é a maior revista de Vendas do Brasil. A que você atribui este sucesso? Existe fórmula? 

Eu diria que o nosso segredo está no foco e na atenção aos assinantes. 
Trabalhamos há muito tempo com pesquisas de satisfação e nos preocupamos muito em manter o diálogo aberto com os assinantes. 
Qualquer assinante tem meu e-mail e sabe que respondo pessoalmente. 
Tente mandar um e-mail para o editor de uma revista de circulação nacional e sinta a diferença... 
(Aos que se sentirem tentados a testar se realmente é verdade, peço apenas que sejam breves... recebo dezenas de e-mails por dia, e muitas vezes acabo respondendo-os em casa, à noite, depois das crianças irem dormir. Então agradeço imensamente a cortesia da brevidade.) 
Voltando ao assunto, tenho plena noção de meus pontos fortes e fracos. Desde muito cedo aprendi a delegar e sempre fiquei perto de pessoas melhores do que eu em diversas áreas. Temos uma equipe muito unida, com forte paixão pelo assunto 'vendas' e trabalhar com o pessoal da Quantum é muito estimulante. 

Carreira & Sucesso: E a expansão da Ed. Quantum e a criação de outras revistas? Teve planejamento, ou foi algo inesperado? 

Adoraria dizer que fiz um business plan com um planejamento de 10 anos, dividido em etapas, mas seria papo-furado. Fui aproveitando as oportunidades conforme foram surgindo. 
Quanto aos produtos novos, só lançamos produtos na Quantum com base em pesquisas e sugestões de assinantes. Então não posso dizer que tenha sido planejado, mas é uma evolução natural. O que vale é o processo – ouvir o cliente, analisar o potencial de lucratividade do novo projeto/sugestão, se está alinhado com nossa missão, definir preço, público, benefícios, etc. E lançar, obviamente. Somos uma fábrica de novidades. Nem todas dão certo, mas isso também faz parte do processo. 
Aprendemos com os erros e, com o passar do tempo, procuramos evitá-los. Se for para errar, que sejam erros novos! (Em erros novos somos especialistas...). 

Carreira & Sucesso: Quantos colaboradores a Quantum emprega? Como manter todos alinhados ao negócio? 

Somos 80, mais ou menos. O alinhamento é feito usando um balanced scorecard (metodologia de gestão criada pela Harvard School) que desenvolvemos para todos os departamentos e com a lembrança contínua da nossa missão. Se você ligar para a Quantum e perguntar nossa missão, todo mundo sabe responder (eu faço isso o tempo inteiro, então a empresa inteira está preparada). Quem não souber responder paga 10 flexões de braço de castigo! Além disso, temos reuniões mensais sobre lançamentos de novos produtos (para que todo mundo saiba o que está acontecendo), os números são discutidos abertamente, criamos comitês de funcionários para resolver problemas... ou seja, é um ambiente onde todo mundo sabe a missão, a meta, as ferramentas que tem disponíveis, o que precisa fazer, porque precisa fazer, etc. 
Sou um cara bem informal – odeio burocracia, pose, formalismos, etc. 
Acho que isso só atrapalha. Exemplo: fiquei anos sem ter uma mesa, porque se eu tiver uma mesa sento ali, quando na verdade deveria estar rodando pela empresa. 
No final das contas, todo mundo sabe na Quantum porque estamos ali. 
Nossos assinantes, que são os clientes, são a razão de ser e tudo gira em torno disso. Aí fica fácil alinhar. 

Carreira & Sucesso: Quais dicas você ministraria para profissionais que querem obter sucesso em suas carreiras? 

1) Provavelmente você já ouviu isso antes, mas é verdade. Procure algo 
pelo qual tem paixão e nunca mais vai 'trabalhar' na vida. Poucas coisas são tão deprimentes quanto ter que levantar cedo na segunda-feira para ir fazer algo que você odeia. Felizmente, o contrário também é verdade. 

2) No começo da carreira, e sempre que puder, procure trabalhar para 
um/a chefe absurdamente bom. De preferência, que seja bem exigente. 
Aprenda tudo que puder. Aproveite a presença dessa pessoa para se tornar melhor. 

3) Também no começo esqueça salário, plano de carreira e essas 
bobagens superficiais. Transforme-se numa esponja de conhecimento. Se lhe pagarem com conhecimento e experiência, você terá feito um excelente negócio. 

4) Procure cercar-se de pessoas muito competentes. Se estiver rodeado 
de medíocres, caia fora. A vida é curta, passa rápido e você tem mais o que fazer do que ficar rodeado de gente burra. Ou incompetente. Ou fofoqueiros/as. Ou politicagem, falta de ética, etc. Decida levar uma vida de alto nível em todos os sentidos. Paga-se um preço por tomar essa decisão. Mas também paga-se um preço (e bem mais alto) de aceitar a mediocridade e a incompetência. 

5) Nunca pare de se meter em encrencas, no bom sentido. Envolva-se em 
projetos novos. Participe de comissões. Aproveite todas as chances de participar. 

6) Nunca pare de estudar. Leia muito, participe de cursos quando 
puder, pesquise na internet. Não existe desculpa hoje em dia para acomodar-se intelectualmente e ficar defasado em termos técnicos ou culturais. Mantenha-se inquieto e curioso. 

7) Pense em termos de impacto no mundo. Pessoas de alto impacto 
raramente tem problemas de dinheiro, remuneração, etc. Se você ajudar e for útil, sempre terá demanda por sua presença. 

8) Viaje !!! 

9) Por último, talvez a dica mais importante. Busque seu próprio 
caminho. Ou seja, questione seriamente estas dicas (todas as 9, e todas as outras que encontrar). Leia-as com atenção, pense no assunto, e depois faça o que VOCÊ achar melhor, porque você decidiu fazer isso, e não porque eu, ou qualquer outro 'expert' tenha recomendado isso. A vida é sua, você é o roteirista. Não delegue essa função.

Fonte: http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=10440

DESAFIOS DO RH DIANTE DA GERAÇÃO Y

Viviane Macedo 


Eles chegaram com tudo. São proativos, cheios de energia e querem ver sentido naquilo que fazem. O perfil revolucionário e não adepto a regras pode fazer alguns acreditarem que são profissionais difíceis de se lidar, mas na verdade são pessoas comuns. Apenas fazem parte de uma nova geração: a Geração Y

Nascidos entre o final da década de 70 e o início dos anos 90, esses jovens são da Era Digital. Interados com tudo que acontece ao seu redor, eles têm extrema facilidade com novas tecnologias e não costumam ter medo do novo, do inusitado. "É uma geração muito mais preocupada com a questão do equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal. Ela é capaz de trabalhar exaustivamente, mas só faz isso se enxergar sentido, se aquele esforço estiver alinhado ao seu projeto de vida", explica Anderson Santanna, professor e pesquisador nas áreas de Comportamento Organizacional, Comportamento Humano nas Organizações e Gestão de Pessoas da Fundação Dom Cabral.

Alguns dos Y já chegaram ao mercado de trabalho, outros começam agora a dar os primeiros passos da carreira. Eles trazem um desafio para gestores e, principalmente, para a área de Recursos Humanos: adequar a cultura e as práticas da empresa a essa nova geração, sem esquecer que também existem em seus quadros integrantes da geração anterior, a X (formada por nascidos entre a segunda metade dos anos 60 e o final dos anos 70), e muitos Baby Boomers (nascidos após o final da Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e a primeira metade dos anos 60). "Líderes e RHs terão de ser mediadores no sentido de traduzir o que cada geração tenta trazer para a realidade organizacional e de reduzir preconceitos, não só com relação às gerações, mas de qualquer tipo. A palavra-chave aqui é diálogo, evidentemente que acompanhado de planos de ação", considera Deise C. Engelmann, daSincrony – Consultoria em Gestão de Pessoas. 


A geração da pressa 

Mais conhecida como Y, esta geração poderia ser chamada também de geração dos porquês, da intensidade, dos desafios, da pressa! "Eles são movidos a desafios, querem fazer atividades diferentes o tempo inteiro, querem crescer. É uma geração que tem muito mais pressa do que a anterior", explica Santanna. 

Mas essa pressa não é vista por todos como uma característica positiva. Alguns profissionais, geralmente de gerações anteriores, consideram que a postura adotada por esses jovens deve ser repensada – é preciso dar tempo ao tempo. "O problema da Geração Y é que ela quer comer a sobremesa antes do prato principal", opina um gestor de equipe que prefere não ser identificado. 

Muito mais questionadores, esses jovens profissionais não são adeptos ao "o chefe mandou e eu vou fazer". Com eles, o bom trabalho acontece a partir do convencimento, de também acreditarem em determinado projeto."Com essa geração há de se explicar a razão, mostrar o sentido", diz o professor. 


É preciso inovar 

Para reter estes talentos, é preciso criar, inovar, repensar práticas. As empresas, mais fortemente na figura dos RHs, precisam entender que se mantiverem pensamentos antigos não vão conseguir conquistar esta nova geração. 

O melhor caminho, então, para atrair e conservar profissionais Y é estabelecer metas mais desafiadoras. "Sem isso não é possível retê-los. Afinal, essa é uma geração que precisa de estímulos rápidos. A boa notícia é que o mundo atual já caminha nessa velocidade. A questão agora é adaptar os ambientes de trabalho para atender não apenas às demandas dessa geração, mas também às do mercado", observa Deise. 

A consultora afirma ainda que é a Geração X quem pode dar base para essas mudanças. "O segredo é aproveitar o histórico de sucesso das empresas, construído pela Geração X, e somar com a versatilidade e agilidade da Geração Y"

Os desafios, de fato, são muitos. O maior deles talvez seja conseguir trabalhar esta nova geração com o mínimo de confronto com as anteriores. "Não é uma questão de escolher uma geração ou outra, mas profissionais de qualquer geração que tenham competências estratégicas para a organização", finaliza Deise.