Viviane Macedo Eles chegaram com tudo. São proativos, cheios de energia e querem ver sentido naquilo que fazem. O perfil revolucionário e não adepto a regras pode fazer alguns acreditarem que são profissionais difíceis de se lidar, mas na verdade são pessoas comuns. Apenas fazem parte de uma nova geração: a
Geração Y.

Nascidos entre o final da década de 70 e o início dos anos 90, esses jovens são da Era Digital. Interados com tudo que acontece ao seu redor, eles têm extrema facilidade com novas tecnologias e não costumam ter medo do novo, do inusitado.
"É uma geração muito mais preocupada com a questão do equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal. Ela é capaz de trabalhar exaustivamente, mas só faz isso se enxergar sentido, se aquele esforço estiver alinhado ao seu projeto de vida", explica
Anderson Santanna, professor e pesquisador nas áreas de Comportamento Organizacional, Comportamento Humano nas Organizações e Gestão de Pessoas da
Fundação Dom Cabral.
Alguns dos Y já chegaram ao mercado de trabalho, outros começam agora a dar os primeiros passos da carreira. Eles trazem um desafio para gestores e, principalmente, para a área de Recursos Humanos: adequar a cultura e as práticas da empresa a essa nova geração, sem esquecer que também existem em seus quadros integrantes da geração anterior, a X (formada por nascidos entre a segunda metade dos anos 60 e o final dos anos 70), e muitos Baby Boomers (nascidos após o final da Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e a primeira metade dos anos 60).
"Líderes e RHs terão de ser mediadores no sentido de traduzir o que cada geração tenta trazer para a realidade organizacional e de reduzir preconceitos, não só com relação às gerações, mas de qualquer tipo. A palavra-chave aqui é diálogo, evidentemente que acompanhado de planos de ação", considera
Deise C. Engelmann, da
Sincrony – Consultoria em Gestão de Pessoas.
A geração da pressa Mais conhecida como Y, esta geração poderia ser chamada também de geração dos porquês, da intensidade, dos desafios, da pressa!
"Eles são movidos a desafios, querem fazer atividades diferentes o tempo inteiro, querem crescer. É uma geração que tem muito mais pressa do que a anterior", explica Santanna.
Mas essa pressa não é vista por todos como uma característica positiva. Alguns profissionais, geralmente de gerações anteriores, consideram que a postura adotada por esses jovens deve ser repensada – é preciso dar tempo ao tempo.
"O problema da Geração Y é que ela quer comer a sobremesa antes do prato principal", opina um gestor de equipe que prefere não ser identificado.
Muito mais questionadores, esses jovens profissionais não são adeptos ao "o chefe mandou e eu vou fazer". Com eles, o bom trabalho acontece a partir do convencimento, de também acreditarem em determinado projeto.
"Com essa geração há de se explicar a razão, mostrar o sentido", diz o professor.
É preciso inovar 
Para reter estes talentos, é preciso criar, inovar, repensar práticas. As empresas, mais fortemente na figura dos RHs, precisam entender que se mantiverem pensamentos antigos não vão conseguir conquistar esta nova geração.
O melhor caminho, então, para atrair e conservar profissionais Y é estabelecer metas mais desafiadoras.
"Sem isso não é possível retê-los. Afinal, essa é uma geração que precisa de estímulos rápidos. A boa notícia é que o mundo atual já caminha nessa velocidade. A questão agora é adaptar os ambientes de trabalho para atender não apenas às demandas dessa geração, mas também às do mercado", observa Deise.
A consultora afirma ainda que é a Geração X quem pode dar base para essas mudanças.
"O segredo é aproveitar o histórico de sucesso das empresas, construído pela Geração X, e somar com a versatilidade e agilidade da Geração Y".
Os desafios, de fato, são muitos. O maior deles talvez seja conseguir trabalhar esta nova geração com o mínimo de confronto com as anteriores.
"Não é uma questão de escolher uma geração ou outra, mas profissionais de qualquer geração que tenham competências estratégicas para a organização", finaliza Deise.
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