31/05/2009

Enquanto isso, no rodízio...

Estômago: - Cara, manera aê com o que vai comer. Essa semana foi foda. Manda uns vegetais pra dentro, porque as coisas no intestino estão feias. 

Primeiro prato (800g): arroz, feijoada, cupim, picanha, coração de galinha e tomate. 

Estômago: - Tá de sacanagem, né? Duas rodelas de tomate? E essas carnes mal-passadas? Pelo menos mastiga direito essa porra. 

Segundo prato (550g): arroz, costela, picanha, alcatra e salada de maionese. 
Estômago: - Chega de carne, cara, não cabe mais nada aqui. Lembra daquela úlcera? Tá faltando pouco pra cicatriz abrir. Tu quer fuder com tudo, né ? Manda um pouco de água. 

Bebida: Coca-Cola 600ml 

Estômago: - Seu imbecil, eu falei um pouco de água. 
Eu: - Ué, Coca-Cola tem água. E ainda ajuda a dissolver a carne. 
Estômago: - Coca-cola tem o inferno dentro, porra. Tá fudendo aqui com o suco-gástrico. 
Esposa: - Amor, com quem você tá falando? 
Eu: - Nada, não, tô pensando alto. 

Sobremesa: 300g de pudim. 

Estômago: - Eita porra, cabe mais não. Tá ouvindo? 
Intestino: - O que tá acontecendo aí em cima? Que zona é essa? 
Estômago: - O cara tá empurrando comida. Agora veio pudim pra dentro. Não sei mais o que fazer. 
Intestino: - Vamos mandar direto. 
Estômago: - O quê? 
Intestino: - É isso aí, operação descarga. 
- Estômago: - Cara, o cérebro não vai gostar. 
- Intestino: - Foda-se o cérebro, ele nunca veio aqui em baixo pra saber como são as coisas. 
Estômago: - Vamos dar mais uma chance pra ele. Eu acho que ele não vai mais... 

Bebida 2: cafezinho. 

Estômago - Filho de uma puta. Vou explodir. 
Intestino - Operação descarga iniciando. Anda, libera o canal do duodeno que eu já tô conversando com o esfíncter. 
Coração - Que que tá havendo aí embaixo? A adrenalina tá aumentando muito. 
Intestino - Operação descarga. 
Coração - Quem autorizou isso? O cérebro não me mandou nada. 
Estômago - Foda-se aquela geléia! Nem músculo tem. 
Intestino - É isso aê, foda-se essa géleia inútil. Vinte segundos pra abrir o esfíncter anal. Quero ver o ânus arder com esse suco gástrico. 

Esposa - Amor, você tá passando bem? Tá suando todo, aonde você vai? 
Eu - Preciso ir ao banheiro, urgente. Paga a conta e me espera no carro. 
Esposa - O que você comeu? 
Eu - Não sei. Acho que foi o tomate.

28/05/2009

Lars Grael fala sobre os obstáculos e as adversidades como motivação

O velejador Lars Grael foi o terceiro convidado a participar do Congresso Brasileiro de Atualização Profissional, em uma palestra realizada no dia 7 de maio, no campus Paraíso.

 

Lars, que é membro do Conselho Nacional do Esporte, presidente da Comissão Nacional de Atletas e conselheiro do Instituto Rumo Náutico, foi dez vezes campeão brasileiro de vela e duas vezes medalhista de bronze em Olimpíadas.

 

Em 1998, na Semana de Vela de Vitória, no Espírito Santo, uma lancha desgovernada provocou um acidente que resultou na perda de uma das pernas do atleta, além de causar outros ferimentos, que, juntos, quase o levaram à morte. Com a ajuda da equipe técnica e por estar acostumado a treinamentos olímpicos, ele se recuperou e voltou ao mar.

 

Usando essa e outras experiências como exemplo, o velejador abordou o temaO obstáculo e a adversidade como motivação e iniciou a palestra contando como se interessou, junto com o irmão Torben, pelo esporte. “Meu avô, o velho Preben Schmidt, ensinou a minha mãe, meus tios e mais tarde a nós, os netos, a velejar. Nos anos 50, meus tios foram os primeiros campeões mundiais de vela brasileiros e nós víamos neles uma idolatria, uma referência, uma vontade de copiar o orgulho que eles representavam para a gente”, relembrou.

 

No entanto, uma das dificuldades enfrentadas pelos irmãos Grael, que, ao longo da carreira, velejaram tanto juntos como com outros proeiros, foi a falta de dinheiro para a aquisição de um equipamento de ponta.  “Como nosso barco era defasado tecnicamente, nós tínhamos de ter algum diferencial em nosso favor. Tínhamos de treinar muito mais do que os outros. Era treinamento todo santo dia, fosse calmaria ou vento forte, frio ou calor, sol ou chuva. Velejávamos direto para automatizar os movimentos e ter uma sinergia um com o outro. Era quase que um instinto de leitura de vento, de manobra, de tática”, declarou o esportista.

 

Mais de dez anos depois de sua primeira participação em uma competição, já com a carreira estabelecida, o palestrante sofreu o acidente que mudou a sua vida. “Eu já tinha certeza de que o esporte olímpico era o meu ideal de vida, a vela a minha grande paixão, o mar o meu habitat e já projetava o que seria minha quinta participação nos Jogos Olímpicos, quando, em 1998, fui disputar a Semana de Vela de Vitória, para ganhar ritmo de regata, e aconteceu o que no Brasil hoje, infelizmente, ocorre com certa frequência: um acidente marítimo, fruto da irresponsabilidade de um condutor. Um cara despreparado, mal capacitado e, ainda por cima, embriagado.”

 

Lars falou sobre a dificuldade de aceitar a sua nova condição: “Eu tinha, ao mesmo tempo, uma vontade intensa de viver e, por outro lado, também, uma repulsa em aceitar uma nova realidade de vida. Porque eu vivia do esporte olímpico, do meu corpo, do meu físico. Aceitar a partir dali, com 34 anos de idade, que eu seria um deficiente físico, isso trazia uma revolta que, para mim, estava sendo difícil de resolver”.

 

 

Em seguida, o palestrante contou um episódio importante de sua vida, que resultou na sua recuperação psicológica, após o acidente. “O que eu precisava, e não sabia, era acreditar que poderia ser feliz a partir dali. E isso aconteceu, involuntariamente, quando, numa madrugada, a Claudia, uma enfermeira do hospital em que eu estava, entrou na UTI toda ágil, rápida, faceira e bonita e falou: ‘estou gostando de ver, você está ganhando a luta pela vida’. Eu olhei para ela e disse: ‘você fala isso porque não é com você’. Ela respondeu ‘quem disse que não?’ e contou que na sua adolescência teve um câncer no fêmur e fez uma amputação cirúrgica. Aí colocou prótese, voltou a estudar, formou-se em Enfermagem, teve filhos e, na época, era  diretora de plantão de um hospital de renome internacional. Então ela me mostrou que chegou ao limite da capacidade da carreira dela, apesar daquela adversidade. Ela fez a minha cabeça. Uma mulher tão bem resolvida, tão alegre, o brilho do olhar dela... Eu acordei uma outra pessoa”, disse o velejador.

 

Ainda sobre o assunto, o esportista afirmou que, embora tenha voltado a velejar, os seus parâmetros de sucesso, hoje, são outros: “São resultados que, se eu for comparar com o que eu tinha antes do meu acidente, há quase 11 anos, talvez eu perceba que são menos relevantes. Porém, antes, o desafio que eu tinha era um desafio profissional, era meu ideal olímpico, buscar resultado, ultrapassar metas. Hoje o desafio é muito maior. Primeiro provar a mim mesmo até onde vai a força de vontade. Segundo, da mesma forma que pessoas serviram de referência para mim, para eu ter motivação de viver e voltar a praticar o esporte e ser útil à sociedade, eu sei que eu sou também o exemplo para outras pessoas. Então esse desafio é o mais legal, eu estar ativo, hoje com 45 anos de idade, com uma perna a menos e ainda competindo, dando o sangue e tentando resultados, porque eu sei que eu posso motivar pessoas que passam por situações semelhantes a viver com intensidade”.

 

 

Para finalizar a palestra, Lars estabeleceu uma relação entre o mundo do esporte e o mundo acadêmico. “Para vocês que vão se lançar a uma escolha profissional, a experiência prova que a formação acadêmica é importantíssima e está aqui o papel da UNIP: a especialização, a capacitação, o mestrado, tudo isso ajuda a pessoa a competir no mercado. Mas, ao longo da vida, você percebe que faz bem e faz melhor aquele que faz a coisa com paixão, aquele que bota o coração naquilo que ele quer fazer na vida. Só assim você transforma realmente a utopia em sonho e converte o sonho em realidade. Euacho que isso vale para todos nós e o esporte é uma escola de vida para isso”, concluiu. 


José Goldemberg participa da abertura do 2nd International Workshop Advances in Cleaner Production


Foi realizada, no dia 20 de maio, a abertura do 2nd International Workshop Advances in Cleaner Production, evento organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção da UNIP, com participação da Associação dos Engenheiros da CETESB (ASEC), do National Prevention Pollution Roundtable e das universidades de Cienfuegos e de Sonora.

Com o objetivo de proporcionar a troca de informações e resultados de pesquisa sobre tecnologias, conceitos e políticas baseados em uma produção mais limpa e projetada para auxiliar a almejada mudança para uma sociedade sustentável, o tema do workshop foiKey Elements for a Sustainable World: Energy, Water and Climate Change (Os Elementos-Chave para um Mundo Sustentável: Energia, Água e Mudança Climática).   

 

De acordo com uma das componentes da mesa de abertura do evento, a coordenadora dos programas de Pós-Graduação Stricto Sensu e professora da Universidade Paulista, Marina Ancona Lopez Soligo, a produção mais limpa é um conceito que vai além do simples controle da poluição: 'Envolve pesquisa e desenvolvimento de novos processos, materiais e produtos que resultem em uma maior eficiência no uso de recursos e energia'.

 

Para falar exatamente sobre isso, o palestrante convidado foi o físico José Goldemberg, que abordou o tema The Role of Energy in Sustainable Development (O Papel da Energia no Desenvolvimento Sustentável).

 

Goldemberg foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992) e secretário do Meio Ambiente de São Paulo (2002-2006). Ele, que também lecionou e realizou pesquisas na University of Illinois, na Stanford University of Paris (Orsay) e na Princeton University, recebeu, em 2008, o Prêmio Planeta Azul, considerado o Nobel do meio ambiente.

 

O palestrante explicou que o desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades, algo que não vem ocorrendo.

 

'Os combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gasolina) representam 80,1% do estoque atual de energia, a energia nuclear representa 6,3% e as energias renováveis 13,6%. Por causa da predominância dos combustíveis fósseis e de sua duração limitada, eles não poderão ser considerados a principal fonte de energia por mais de uma ou duas gerações', afirmou.

 

De acordo com Goldemberg, para que esse problema seja resolvido, as seguintes opções estão sendo avaliadas: 'O uso mais eficiente de energia, principalmente no transporte e nos processos de produção; o aumento da confiança nas fontes renováveis e o aceleramento e desenvolvimento de novas tecnologias de energia que produzam emissões que causem praticamente nenhum dano; além do desenvolvimento de tecnologias nucleares, caso os problemas no uso desse tipo de energia possam ser resolvidos'.

 

O físico declarou também que os países em desenvolvimento têm um importante papel nesse caso. 'Em vez de imitar as nações industrializadas e passar pelo caminho esbanjador do desenvolvimento econômico - criando um enorme legado de poluição ambiental -, esses países devem pular alguns passos e incorporar mais cedo as tecnologias modernas e eficientes ao seu processo de desenvolvimento', assegurou o professor.

 

Ainda durante sua palestra, Goldemberg fez questão de ressaltar a importância de eventos como o workshop: 'Quero registrar aqui que fico muito satisfeito com o fato de que a UNIP, efetivamente, está começando a seguir os passos que são necessários para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. Tradicionalmente, ciência e tecnologia têm sido uma área em que apenas o governo atua, através das suas universidades públicas. Isso é claramente insuficiente e já é tempo de um país desenvolvido, como o Brasil, ter universidades privadas que se preocupem com os problemas que nós estamos enfrentando hoje. Não é possível esperar que o governo faça tudo'.


Fonte: http://www2.unip.br/comunicacao/exibe_noticia.asp?id=3704

27/05/2009

PARTÍCULA-BASE

É, embora lógico, estranho observar que ao tempo todo, todas as pessoas, procuram de alguma maneira se resumirem a algo simplificado e sintético que possa ser compreendido pelos outros.


Igualmente estranho é a tentativa de todas as correntes de pensamento, seja filosófico, científico, religioso ou qualquer outra composição de conhecimento de resumir seus preceitos e idéias em unidades básicas, pelas quais através de leis e mecanismos torna-se possivel estruturar modelos complexos que expliquem com mais densidade as variantes e flutuações de parâmetros e fenômenos nos seus respectivos campos de estudo.


A algum tempo estive pensando sobre qual seria a unidade unificadora de todas as línguas, todos os conhecimentos, todo o cosmo... Ao pensar nisso, concluí que de uma maneira complexa, emaranhada e abusrdamente paramétrica, a linguagem capaz de representar todas as variantes do conhecimento, desde que com parâmetros suficientes, é a matemática...


O problema de usar a matemática é que ela requer uma "base numérica" para se fundamentar, um elemento unitário capaz de compor tudo o que existe, um elemento do qual seria possivel produzir, após uma sequência precisa e rigorosa, cada elemento constante no universo. Ao raciocinar sobre essa unidade, uma revelação... EINSTEIN ESTAVA CERTO!!


Não que eu tenha subsídios ou inteligência para completar sua teoria de campo unificado mas, de um modo mais prático e filosófico, é de certa forma compreensivo que alguém tenha dedicado sua vida a tentar explicar tal conceito...


Na abordagem do gênio, partículas e ondas são, no fundo, derivados de um fenômeno primordial e, já se sabe, tudo o que conhecemos é composto de partículas e ondas.


A linguagem se faz por um padrão de símbolos e sons que, ao serem alinhados com o objetivo de transmitir informação, se reduzem a um modelo parametrizável e regrado que, apesar da complexidade, podem ser transcritos para outros modelos, em outras palavras, é feito um processo de correlação entre termos, algo a muito conhecido na teoria dos grupos.


Antes da própria linguagem como composição de transmissão de dados para o exterior de nós, sabe-se que o processo sináptico é baseado em um modelo eletroquímico, determinado pela sobreposição e competição de um emaranhado de possibilidades de saída com uma informação de entrada particular... Será que ninguém vê a estatística por trás disso? Obviamente que sim, não há grande novidade nisso.


Antes do processo sináptico, entretanto, há o arranjo de componentes biológicos que produzem os elementos funcionais para a cognição, elementos esses que passam por uma bateria de processos físico-químicos específicos para transformarem o que recebemos como nutriente em componentes energéticos e catalíticos para as operações cognitivas, nesse processo mecanismos de filtragem, adsorção, absorção, transposição, permutação, decomposição, composição, fluídodinâmica e sequenciamento ocorrem e, em todas essas tarefas, métodos numéricos, estatística, álgebra e matrizes são o suficiente para reproduzí-los.


Esses antes e antes e antes poderiam se arranjarem indefinidamente e, quando parasse, seria justamente na incapacidade humana de explicar de modo unitário como se compõem os elementos geradores da vida, do universo, da psique e do ser.


Por outro lado, a tendência de existir uma unidade, um componente primordial, se faz para que as leis do universo sejam possíveis, para que do indefinidamente pequeno ao infinitamente grande possam existir e se estruturarem como uma cadeia de deventos e, nesse processo, até mesmo o que geralmente não entendemos exatamente como existe, coisas como consciência, amor, tempo, gravidade e alma, passam a ter sentido se, em algum nível, forem origem de uma unidade primária.


Vale ressaltar que independente da visão do leitor ser científica ou religiosa quanto a origem das coisas, faz-se necessária uma unidade primária da qual se derivem todas as outras, somente assim pode-se pleitear um início do teoricamente "nada", tanto para quem tem visão Adâmica quanto para os adeptos dos primatas...


E indo além, para se pensar em um Deus com se pensa, detentor dos portais do espaço e do tempo, do conhecimento intra, extra e ultrafuncionais de tudo o que existe, requer-se que Ele tenha um meio pelo qual possa relacionar todas as coisas, e na sua ONISCIÊNCIA, utilizar os algorítmos corretos para reconstituir o passado e prever o futuro, para encadear todos os processos ao Seu gosto e para, por assim dizer, de fato ser o alfa e ômega.


Nessa visão de unidade fundamental, torna-se plausível que, em algum lugar no espaço-tempo, haja uma camada onde um espectro de tudo o que existiu, existe e existirá está refletido. Faz sentido dizer que uma estrela que explodiu a milhões de anos e a milhões de anos-luz pode ser estudada hoje, faz sentido dizer que o teletransporte de átomos é viável e que buracos de minhoca podem conceber tráfego pelo tempo. Um componente fundamental do qual se pode equacionar toda a infinidade de elementos existentes no cosmo se faz necessário para que o que vemos e somos seja possível e, dada a infinidade de operações, torna-se igualmente viável que um sistema criado por um Deus perfeito tenha tantas variantes ao nosso ver desnecessárias e imperfeitas, afinal um algorítmo rodando a tantos milhares de anos e com tantas interconexões deve, naturalmente, sofrer os efeitos da entropia e do erro cumulativo...


Em resumo, penso que a matemática é a linguagem essencial para descrever os fenômenos que nos cercam e a unidade primária ainda não foi identificada, entretanto mesmo quando essa se revelar, caberá ao homem a tarefa de entender os algorítmos geradores de tudo o que existe e, quando fizer isso perceberá que não tem os elementos passados e acesso ao manto dos espectros onde tudo está transcrito, no cosmo. Provavelmente essa será a transcrição do fruto da árvore da vida (1), um conhecimento intangível e impossível para o homem acessar e, por assim o ser, o distanciar dos limites de Deus.


Ao fim, o que quero dizer é que muito evoluiremos por compreender esse mecanismo mas ainda assim será impossível explorá-lo efetivamente por não sermos capazes de acessar e catalogar todas as cadeias de geração de informações e processo que já se desencadearam até que sejamos o que somos hoje, e isso se reflete a todos os campos da existência, seja humana ou não.


(1) Gênesis 3:22
E o Senhor Deus disse: "Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também a árvore da vida, e o coma, e vida eternamente."


Leandro Pereira
27/05/09
0:57 - GMT-3

23/05/2009

ONISCIÊNCIA, ONPRESENÇA, ONIPOTÊNCIA

Assim é o Deus em que creio, ONSICIENTE, ONIPRESENTE e ONIPOTENTE. Foi assim que me ensinaram e, pelo que já vi de outras culturas, é assim que Ele sempre o é.


O que esqueceram de me ensinar é o significado dessas palavras, é como se pode imaginar algo tão intangível, como ver essa magnitude divina estando em em mundo onde criancinhas morrem de câncer e 3/4 da população vive em estado de miséria... Como ver um Ser que me rege com tanto poder e, dentro desse contexto, aparentemente excessivamente relapso...


Não é meu objetivo ser herege ou atacar o que creio ser a essência de tudo o que existe, muito pelo contrário, pretendo mostrar "como" se faz possível a existência desse Deus com a magnifisciência que me falaram em um contexto tão cruel e injunsto no qual me vejo inserido.


Na verdade, dentro da crença em que fui instruído, existe uma lei cuja finalidade é manter o equilíbrio de tudo que existe, de tudo o que vemos, sentimos, criamos e acreditamos. Essa lei chama-se "livre arbítrio", esse provavelmente foi o componente regulador que nosso Criador e Criador de tudo concebeu para nos dar a chance de sermos nós mesmos, de evoluirmos, de provarmos que merecemos ser derivados de um Ser tão infinitamente superior e intangível.


Porém, mesmo sobre essa lei, os que me instruíram esqueceram de explicar... Depois de refletir por anos a respeito, começo a compreender que não se trata do meu livre arbítrio como "SER HUMANO" isolado, não se trata de "EU" fazer o que quero... Está mais para "HUMANIDADE", mais para o coletivo... Nesse contexto, EU decido se mato ou não o próximo, embora esse não escolha se vai morrer ou não... O Próximo escolhe se vai me amar ou não, embora eu não tenha poder de escolha sobre o amor que ele sente por mim... Olhando por esse lado, faz sentido o livre arbítrio mesmo vivendo uma vida de frustrações e privações em que nada na verdade escolho para mim mesmo, em que quase tudo o que EU quero depende de OUTROS.


Refletir sobre essa regra divina se faz necessário para compreender, ainda que em um grau extremamente limitado como humano que sou, como é possivel existir um Deus com tais habilidades e ainda assim, não sendo CRUEL ao ver o rumo que tomamos sem intervir diretamente...


Também se faz necessário refletir sobre isso para dar subsídio aos espíritos que exigem mais informações antes de crer, é importante perceber que um, ou na minha crença, "O" Deus, não precise necessariamente ser perfeito na "MINHA" concepção humana e limitada para alimentar e sustentar minha fé. Olhando por esse lado pode-se aceitar melhor situações como apresenta a bíblia (1) sem achar que Deus errou ou não havia previsto tal comportamento.


Falando diretamente das faculdades divinas, talvez valha raciocinar de modo trascedental ao que conhecemos, valha "filosofar" mais do que "cientifizar", afinal nossa ciência não está completa e sabemos que todos os pensamentos científicos partem, em algum grau, de uma visão filosófica, do contrário a ciência não seria filha da filosofia como apresenta Pitágoras (2).


Olhando para as três faculdades é dificil estabelecer uma topologia, mas, para alavancar um raciocínio, será necessário isolar uma variável para estudar as outras, aliás essa é uma necessidade de seres como nós, não dotados de onsciência.


Penso que a ONIPRESENÇA seja um ponto interessante para iniciar. Gostamos de pensar que Deus está conosco o tempo todo, ora como um vigia que anota todos nossos erros, outrora como um protetor que coloca pedras para pisarmos a cada vez que tenhamos a chance de cair em um buraco, mas... Será que um Deus assim, tanto pela primeira condição quanto pela segunda, não estaria violando a regra que acreditamos ter sido estabelecida por Ele mesmo?


Será que, como na física quântica, o fato simples de nos sentirmos "observados" não muda nossa trajetória, não afeta nosso curso? Será mesmo possivel analisar sem "interferir" nos resultados? E se esse for o caso, não estaria Ele nos direcionando ao invés de caminharmos por nossa própria vontade?


Olhando pelo outro lado, se esse Deus for tão protetor e pessoal como alguns gostam de acreditar, será que igualmente não afeta o curso desses humanos? Será que o fato de se predispor a alguns não dê a esses vantagens que os tornem superiores aos demais por conta de força terceirizada de Deus? E nesse contexto, será que esses não acabam, mesmo sem querer, tendo seus cursos alterados pelas suas vontades sendo interpretadas por um Ser superior a eles quanto à abstração dos seus desejos?


Por ambas as razões acho difícil ver qualquer dos dois Deuses acima como o Deus efetivo... Ao final penso que minhas orações são mais desabafos do meu coração do que real capacidade de "pedir" por algo que queira, penso que tanto o julgamento quanto as pedras que eventualmente parecem "surgir" para me livrar das depressões da vida são resultado de uma equação universal e cósmica onde todas as ações, de todos os seres e corpos, se fundem de modo ponderado, formando o evento posterior de cada elemento existente tanto no cosmo como na psique, que não deixa de estar contida no cosmo.


Dessa forma, penso que Deus estruturou o prelúdio de tudo o que existe para que, agora, não mais requeira sua intervenção direta no sentido de criação. Penso que agora o que Deus faz é, eventualmente, nos ajudar a "manipular" faculdades já existentes em nós, de acordo com nossas necessidades e "perseverança", em outras palavras, Ele não está intervindo visto que não está nos dando uma "habilidade nova" mas sim nos fornecendo, exclusivamente em função das nossa própria perseverança e esforço, o tutorial para usarmos ferramentas já contidas em nós mesmos. Penso que um raciocínio assim não só viabilize a crença de que Deus não interfere no nosso livre arbítrio como defina de que maneira Ele está conosco mesmo sem "interferir" em nós. Acho que para os cristãos a melhor representação desse fato está na frase "SUA FÉ O CUROU" (3).


Porém esse racicínio ainda não está completo, e não que estará ao fim desse texto, mas falta raciocinar sobre mais alguns fenômenos.


A ONIPRESENÇA só se faz possivel a um ser que tenha ONISCIÊNCIA, de outro modo seria impossivel se situar de modo transcedental e indefinido para o passado e futuro, tal faculdade não poderia ser explorada por um ser que não tenha "parâmetros" para exercê-la.


Ainda sobre a ONIPRESENÇA, é pouco provável que a parte consciente de Deus precise estar contida em cada elemento unitário do cosmo, não faria sentido se considerarmos que sua perfeição tenha resultado em um sistema independente, com leis robustas o suficiente para não colapsar. Dessa forma, faz-se mais sentido aceitar que Deus tenha "marcadores" em todos os ponto dos cosmo, pelos quais possa monitorar e acessar cada um desses pontos, de acordo com Sua vontade. Dessa forma, a maneira mais correta de imaginar a ONIPRESENÇA de Deus não é por ele estar concomitantemente em todos os lugares mas por ele ter, de alguma maneira, uma linha reta interligando em uma malha todos para todos, todas as coordenadas do cosmo, e ser capaz de trafegar por essas linhas de comunicação, ainda que não necessariamente em sua totalidade como pode-se observar na bíblia (4).


Para imaginar o que está sendo dito, se tivessemos no cosmo a composição de um cubo com 8 pontos, Deus teria algo em torno de 28 linhas de comunicação bidirecionais, o que resulta em 56 linhas efetivas para trafegar para qualquer ponto de qualquer ponto de modo direto. Vale ressaltar que, como Ser ONIPOTENTE, Deus não está condicionado a fenômenos como velocidade da luz ou gravidade, dando ao Mesmo meios para estar instantâneamente em qualquer ponto e, para uma análise humana, virtualmente em todos os pontos ao mesmo tempo, o que corrobora Sua ONIPRESENÇA.


Ora, se Ele tem marcadores em todos os pontos do cosmo e linhas interligando esses marcadores, Ele está em todo lugar ao mesmo tempo, afinal esses marcadores são nada mais que partes Dele mesmo. Para alguns, esses "marcadores" podem ser transcritos como "alma", "espírito", "essência", etc para o que consideramos animado, para demais componentes do cosmo, algumas correntes com as que crêem em Gaya diriam que "tudo" tem, em algum grau, vida própria, outros porém, por classificar vida como a existência de algum grau de "decisão (escolha <-> arbítrio) sobre a própria trajetória, buscam em alguma partícula a existência comprovada e científica de Deus, alguns chegaram a citar o "Boson de Riggs" como sendo tal partícula tamanha sua importância na coesão de todas as demais partículas que compõem o átomo que, dentro do que conhecemos até o momento, é componente de toda a matéria e complemento da anti-matéria.


Para concluir e para evitar certos paradoxos como o da "pedra" (5), ONIPRESENÇA, ONISCIÊNCIA e ONIPOTÊNCIA nos levam sim a indentificar um Deus perfeito, porém o conceito de perfeição não pode ser assimilado por uma mente egoísta que deseje a transcrição em sua própria vida ou mesmo em sua própria espécie, para enxergar o conceito de perfeição, faz-se necessário nivelar-se com tudo o que existe e compreender que, se somos especiais, não é por sermos superiores e sim por sermos "escolhidos", dessa forma, não será por nossa vontade mas pela de Quem nos escolheu que seremos privilegiados nos eventos pelos quais passaremos no futuro e foi assim para cada evento pelos quais já passamos.


Como reflexão vale salientar que em Sua superioridade Deus está mais precupado conosco como Humanidade do que como Ser Humano, dessa forma é NOSSA responsabilidade usar o "livre arbítrio" sobre a vida dos outros (e não sobre a nossa) com sabedoria, só evoluiremos como seres sociais que somos quando compreendermos que somos, ao final, pontos cominicantes de uma figura geométrica que se deforma a cada uma de nossas ações e que as tensões nos vértices dessa figura são produto das ações de todos os pontos adjacentes e componentes da própria figura, sendo assim, a única maneira de estabilizar essas forças é buscar de modo ponderadamente similar, o bem estar de todo o grupo, inferindo posivitamente nas vidas dos outros.


Para os que não perceberam, essa figura da qual todos os seres são vértices é a história da humanidade e do cosmo, para a qual cada ação isolada, de cada componente, reflete em algum grau a todos os demais componentes desse processo.


(1) Gênesis 19:29:
Quando Deus destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e livrou Lot do flagelo com que destruiu as cidades onde ele habitava.


(2) Pitágoras
Esse termo foi usado pela primeira vez pelo famoso Filósofo Grego PITÁGORAS por volta do século V aC, ao responder a um de seus discípulos que ele não era um "Sábio", mas apenas alguém que amava a Sabedoria.
Para complementar: PHILO = AMOR, SOPHIA = SABEDORIA. Amor à sabedoria é algo anterior aos subsídios que a comprovem, logo filosifia é componente da ciência, mais que isso, é o embrião da ciência.


(3) Lucas 8:48
Jesus disse-lhe: "Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz."


(4) Êxodo 33:18-20
Moisés disse: "Mostrai-me vossa glória." E Deus respondeu: "Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor, o pronunciarei diante de ti o nome de Javé. Dou a minha graça a quem quero, e uso misericórdia a quem me apraz. Mas, ajuntou o senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não poderia me ver e continuar a viver.


(5) Paradoxo da Onipotência
Pode um ser onipotente criar uma pedra que não consiga erguer? Se não pode criar a pedra não é onipotente, se pode, deixa de o ser por não conseguir erguê-la.




Leandro Pereira
23-05-09
15:08 GMT-3