27/05/2009

PARTÍCULA-BASE

É, embora lógico, estranho observar que ao tempo todo, todas as pessoas, procuram de alguma maneira se resumirem a algo simplificado e sintético que possa ser compreendido pelos outros.


Igualmente estranho é a tentativa de todas as correntes de pensamento, seja filosófico, científico, religioso ou qualquer outra composição de conhecimento de resumir seus preceitos e idéias em unidades básicas, pelas quais através de leis e mecanismos torna-se possivel estruturar modelos complexos que expliquem com mais densidade as variantes e flutuações de parâmetros e fenômenos nos seus respectivos campos de estudo.


A algum tempo estive pensando sobre qual seria a unidade unificadora de todas as línguas, todos os conhecimentos, todo o cosmo... Ao pensar nisso, concluí que de uma maneira complexa, emaranhada e abusrdamente paramétrica, a linguagem capaz de representar todas as variantes do conhecimento, desde que com parâmetros suficientes, é a matemática...


O problema de usar a matemática é que ela requer uma "base numérica" para se fundamentar, um elemento unitário capaz de compor tudo o que existe, um elemento do qual seria possivel produzir, após uma sequência precisa e rigorosa, cada elemento constante no universo. Ao raciocinar sobre essa unidade, uma revelação... EINSTEIN ESTAVA CERTO!!


Não que eu tenha subsídios ou inteligência para completar sua teoria de campo unificado mas, de um modo mais prático e filosófico, é de certa forma compreensivo que alguém tenha dedicado sua vida a tentar explicar tal conceito...


Na abordagem do gênio, partículas e ondas são, no fundo, derivados de um fenômeno primordial e, já se sabe, tudo o que conhecemos é composto de partículas e ondas.


A linguagem se faz por um padrão de símbolos e sons que, ao serem alinhados com o objetivo de transmitir informação, se reduzem a um modelo parametrizável e regrado que, apesar da complexidade, podem ser transcritos para outros modelos, em outras palavras, é feito um processo de correlação entre termos, algo a muito conhecido na teoria dos grupos.


Antes da própria linguagem como composição de transmissão de dados para o exterior de nós, sabe-se que o processo sináptico é baseado em um modelo eletroquímico, determinado pela sobreposição e competição de um emaranhado de possibilidades de saída com uma informação de entrada particular... Será que ninguém vê a estatística por trás disso? Obviamente que sim, não há grande novidade nisso.


Antes do processo sináptico, entretanto, há o arranjo de componentes biológicos que produzem os elementos funcionais para a cognição, elementos esses que passam por uma bateria de processos físico-químicos específicos para transformarem o que recebemos como nutriente em componentes energéticos e catalíticos para as operações cognitivas, nesse processo mecanismos de filtragem, adsorção, absorção, transposição, permutação, decomposição, composição, fluídodinâmica e sequenciamento ocorrem e, em todas essas tarefas, métodos numéricos, estatística, álgebra e matrizes são o suficiente para reproduzí-los.


Esses antes e antes e antes poderiam se arranjarem indefinidamente e, quando parasse, seria justamente na incapacidade humana de explicar de modo unitário como se compõem os elementos geradores da vida, do universo, da psique e do ser.


Por outro lado, a tendência de existir uma unidade, um componente primordial, se faz para que as leis do universo sejam possíveis, para que do indefinidamente pequeno ao infinitamente grande possam existir e se estruturarem como uma cadeia de deventos e, nesse processo, até mesmo o que geralmente não entendemos exatamente como existe, coisas como consciência, amor, tempo, gravidade e alma, passam a ter sentido se, em algum nível, forem origem de uma unidade primária.


Vale ressaltar que independente da visão do leitor ser científica ou religiosa quanto a origem das coisas, faz-se necessária uma unidade primária da qual se derivem todas as outras, somente assim pode-se pleitear um início do teoricamente "nada", tanto para quem tem visão Adâmica quanto para os adeptos dos primatas...


E indo além, para se pensar em um Deus com se pensa, detentor dos portais do espaço e do tempo, do conhecimento intra, extra e ultrafuncionais de tudo o que existe, requer-se que Ele tenha um meio pelo qual possa relacionar todas as coisas, e na sua ONISCIÊNCIA, utilizar os algorítmos corretos para reconstituir o passado e prever o futuro, para encadear todos os processos ao Seu gosto e para, por assim dizer, de fato ser o alfa e ômega.


Nessa visão de unidade fundamental, torna-se plausível que, em algum lugar no espaço-tempo, haja uma camada onde um espectro de tudo o que existiu, existe e existirá está refletido. Faz sentido dizer que uma estrela que explodiu a milhões de anos e a milhões de anos-luz pode ser estudada hoje, faz sentido dizer que o teletransporte de átomos é viável e que buracos de minhoca podem conceber tráfego pelo tempo. Um componente fundamental do qual se pode equacionar toda a infinidade de elementos existentes no cosmo se faz necessário para que o que vemos e somos seja possível e, dada a infinidade de operações, torna-se igualmente viável que um sistema criado por um Deus perfeito tenha tantas variantes ao nosso ver desnecessárias e imperfeitas, afinal um algorítmo rodando a tantos milhares de anos e com tantas interconexões deve, naturalmente, sofrer os efeitos da entropia e do erro cumulativo...


Em resumo, penso que a matemática é a linguagem essencial para descrever os fenômenos que nos cercam e a unidade primária ainda não foi identificada, entretanto mesmo quando essa se revelar, caberá ao homem a tarefa de entender os algorítmos geradores de tudo o que existe e, quando fizer isso perceberá que não tem os elementos passados e acesso ao manto dos espectros onde tudo está transcrito, no cosmo. Provavelmente essa será a transcrição do fruto da árvore da vida (1), um conhecimento intangível e impossível para o homem acessar e, por assim o ser, o distanciar dos limites de Deus.


Ao fim, o que quero dizer é que muito evoluiremos por compreender esse mecanismo mas ainda assim será impossível explorá-lo efetivamente por não sermos capazes de acessar e catalogar todas as cadeias de geração de informações e processo que já se desencadearam até que sejamos o que somos hoje, e isso se reflete a todos os campos da existência, seja humana ou não.


(1) Gênesis 3:22
E o Senhor Deus disse: "Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também a árvore da vida, e o coma, e vida eternamente."


Leandro Pereira
27/05/09
0:57 - GMT-3

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