Assim é o Deus em que creio, ONSICIENTE, ONIPRESENTE e ONIPOTENTE. Foi assim que me ensinaram e, pelo que já vi de outras culturas, é assim que Ele sempre o é.
O que esqueceram de me ensinar é o significado dessas palavras, é como se pode imaginar algo tão intangível, como ver essa magnitude divina estando em em mundo onde criancinhas morrem de câncer e 3/4 da população vive em estado de miséria... Como ver um Ser que me rege com tanto poder e, dentro desse contexto, aparentemente excessivamente relapso...
Não é meu objetivo ser herege ou atacar o que creio ser a essência de tudo o que existe, muito pelo contrário, pretendo mostrar "como" se faz possível a existência desse Deus com a magnifisciência que me falaram em um contexto tão cruel e injunsto no qual me vejo inserido.
Na verdade, dentro da crença em que fui instruído, existe uma lei cuja finalidade é manter o equilíbrio de tudo que existe, de tudo o que vemos, sentimos, criamos e acreditamos. Essa lei chama-se "livre arbítrio", esse provavelmente foi o componente regulador que nosso Criador e Criador de tudo concebeu para nos dar a chance de sermos nós mesmos, de evoluirmos, de provarmos que merecemos ser derivados de um Ser tão infinitamente superior e intangível.
Porém, mesmo sobre essa lei, os que me instruíram esqueceram de explicar... Depois de refletir por anos a respeito, começo a compreender que não se trata do meu livre arbítrio como "SER HUMANO" isolado, não se trata de "EU" fazer o que quero... Está mais para "HUMANIDADE", mais para o coletivo... Nesse contexto, EU decido se mato ou não o próximo, embora esse não escolha se vai morrer ou não... O Próximo escolhe se vai me amar ou não, embora eu não tenha poder de escolha sobre o amor que ele sente por mim... Olhando por esse lado, faz sentido o livre arbítrio mesmo vivendo uma vida de frustrações e privações em que nada na verdade escolho para mim mesmo, em que quase tudo o que EU quero depende de OUTROS.
Refletir sobre essa regra divina se faz necessário para compreender, ainda que em um grau extremamente limitado como humano que sou, como é possivel existir um Deus com tais habilidades e ainda assim, não sendo CRUEL ao ver o rumo que tomamos sem intervir diretamente...
Também se faz necessário refletir sobre isso para dar subsídio aos espíritos que exigem mais informações antes de crer, é importante perceber que um, ou na minha crença, "O" Deus, não precise necessariamente ser perfeito na "MINHA" concepção humana e limitada para alimentar e sustentar minha fé. Olhando por esse lado pode-se aceitar melhor situações como apresenta a bíblia (1) sem achar que Deus errou ou não havia previsto tal comportamento.
Falando diretamente das faculdades divinas, talvez valha raciocinar de modo trascedental ao que conhecemos, valha "filosofar" mais do que "cientifizar", afinal nossa ciência não está completa e sabemos que todos os pensamentos científicos partem, em algum grau, de uma visão filosófica, do contrário a ciência não seria filha da filosofia como apresenta Pitágoras (2).
Olhando para as três faculdades é dificil estabelecer uma topologia, mas, para alavancar um raciocínio, será necessário isolar uma variável para estudar as outras, aliás essa é uma necessidade de seres como nós, não dotados de onsciência.
Penso que a ONIPRESENÇA seja um ponto interessante para iniciar. Gostamos de pensar que Deus está conosco o tempo todo, ora como um vigia que anota todos nossos erros, outrora como um protetor que coloca pedras para pisarmos a cada vez que tenhamos a chance de cair em um buraco, mas... Será que um Deus assim, tanto pela primeira condição quanto pela segunda, não estaria violando a regra que acreditamos ter sido estabelecida por Ele mesmo?
Será que, como na física quântica, o fato simples de nos sentirmos "observados" não muda nossa trajetória, não afeta nosso curso? Será mesmo possivel analisar sem "interferir" nos resultados? E se esse for o caso, não estaria Ele nos direcionando ao invés de caminharmos por nossa própria vontade?
Olhando pelo outro lado, se esse Deus for tão protetor e pessoal como alguns gostam de acreditar, será que igualmente não afeta o curso desses humanos? Será que o fato de se predispor a alguns não dê a esses vantagens que os tornem superiores aos demais por conta de força terceirizada de Deus? E nesse contexto, será que esses não acabam, mesmo sem querer, tendo seus cursos alterados pelas suas vontades sendo interpretadas por um Ser superior a eles quanto à abstração dos seus desejos?
Por ambas as razões acho difícil ver qualquer dos dois Deuses acima como o Deus efetivo... Ao final penso que minhas orações são mais desabafos do meu coração do que real capacidade de "pedir" por algo que queira, penso que tanto o julgamento quanto as pedras que eventualmente parecem "surgir" para me livrar das depressões da vida são resultado de uma equação universal e cósmica onde todas as ações, de todos os seres e corpos, se fundem de modo ponderado, formando o evento posterior de cada elemento existente tanto no cosmo como na psique, que não deixa de estar contida no cosmo.
Dessa forma, penso que Deus estruturou o prelúdio de tudo o que existe para que, agora, não mais requeira sua intervenção direta no sentido de criação. Penso que agora o que Deus faz é, eventualmente, nos ajudar a "manipular" faculdades já existentes em nós, de acordo com nossas necessidades e "perseverança", em outras palavras, Ele não está intervindo visto que não está nos dando uma "habilidade nova" mas sim nos fornecendo, exclusivamente em função das nossa própria perseverança e esforço, o tutorial para usarmos ferramentas já contidas em nós mesmos. Penso que um raciocínio assim não só viabilize a crença de que Deus não interfere no nosso livre arbítrio como defina de que maneira Ele está conosco mesmo sem "interferir" em nós. Acho que para os cristãos a melhor representação desse fato está na frase "SUA FÉ O CUROU" (3).
Porém esse racicínio ainda não está completo, e não que estará ao fim desse texto, mas falta raciocinar sobre mais alguns fenômenos.
A ONIPRESENÇA só se faz possivel a um ser que tenha ONISCIÊNCIA, de outro modo seria impossivel se situar de modo transcedental e indefinido para o passado e futuro, tal faculdade não poderia ser explorada por um ser que não tenha "parâmetros" para exercê-la.
Ainda sobre a ONIPRESENÇA, é pouco provável que a parte consciente de Deus precise estar contida em cada elemento unitário do cosmo, não faria sentido se considerarmos que sua perfeição tenha resultado em um sistema independente, com leis robustas o suficiente para não colapsar. Dessa forma, faz-se mais sentido aceitar que Deus tenha "marcadores" em todos os ponto dos cosmo, pelos quais possa monitorar e acessar cada um desses pontos, de acordo com Sua vontade. Dessa forma, a maneira mais correta de imaginar a ONIPRESENÇA de Deus não é por ele estar concomitantemente em todos os lugares mas por ele ter, de alguma maneira, uma linha reta interligando em uma malha todos para todos, todas as coordenadas do cosmo, e ser capaz de trafegar por essas linhas de comunicação, ainda que não necessariamente em sua totalidade como pode-se observar na bíblia (4).
Para imaginar o que está sendo dito, se tivessemos no cosmo a composição de um cubo com 8 pontos, Deus teria algo em torno de 28 linhas de comunicação bidirecionais, o que resulta em 56 linhas efetivas para trafegar para qualquer ponto de qualquer ponto de modo direto. Vale ressaltar que, como Ser ONIPOTENTE, Deus não está condicionado a fenômenos como velocidade da luz ou gravidade, dando ao Mesmo meios para estar instantâneamente em qualquer ponto e, para uma análise humana, virtualmente em todos os pontos ao mesmo tempo, o que corrobora Sua ONIPRESENÇA.
Ora, se Ele tem marcadores em todos os pontos do cosmo e linhas interligando esses marcadores, Ele está em todo lugar ao mesmo tempo, afinal esses marcadores são nada mais que partes Dele mesmo. Para alguns, esses "marcadores" podem ser transcritos como "alma", "espírito", "essência", etc para o que consideramos animado, para demais componentes do cosmo, algumas correntes com as que crêem em Gaya diriam que "tudo" tem, em algum grau, vida própria, outros porém, por classificar vida como a existência de algum grau de "decisão (escolha <-> arbítrio) sobre a própria trajetória, buscam em alguma partícula a existência comprovada e científica de Deus, alguns chegaram a citar o "Boson de Riggs" como sendo tal partícula tamanha sua importância na coesão de todas as demais partículas que compõem o átomo que, dentro do que conhecemos até o momento, é componente de toda a matéria e complemento da anti-matéria.
Para concluir e para evitar certos paradoxos como o da "pedra" (5), ONIPRESENÇA, ONISCIÊNCIA e ONIPOTÊNCIA nos levam sim a indentificar um Deus perfeito, porém o conceito de perfeição não pode ser assimilado por uma mente egoísta que deseje a transcrição em sua própria vida ou mesmo em sua própria espécie, para enxergar o conceito de perfeição, faz-se necessário nivelar-se com tudo o que existe e compreender que, se somos especiais, não é por sermos superiores e sim por sermos "escolhidos", dessa forma, não será por nossa vontade mas pela de Quem nos escolheu que seremos privilegiados nos eventos pelos quais passaremos no futuro e foi assim para cada evento pelos quais já passamos.
Como reflexão vale salientar que em Sua superioridade Deus está mais precupado conosco como Humanidade do que como Ser Humano, dessa forma é NOSSA responsabilidade usar o "livre arbítrio" sobre a vida dos outros (e não sobre a nossa) com sabedoria, só evoluiremos como seres sociais que somos quando compreendermos que somos, ao final, pontos cominicantes de uma figura geométrica que se deforma a cada uma de nossas ações e que as tensões nos vértices dessa figura são produto das ações de todos os pontos adjacentes e componentes da própria figura, sendo assim, a única maneira de estabilizar essas forças é buscar de modo ponderadamente similar, o bem estar de todo o grupo, inferindo posivitamente nas vidas dos outros.
Para os que não perceberam, essa figura da qual todos os seres são vértices é a história da humanidade e do cosmo, para a qual cada ação isolada, de cada componente, reflete em algum grau a todos os demais componentes desse processo.
(1) Gênesis 19:29:
Quando Deus destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e livrou Lot do flagelo com que destruiu as cidades onde ele habitava.
(2) Pitágoras
Esse termo foi usado pela primeira vez pelo famoso Filósofo Grego PITÁGORAS por volta do século V aC, ao responder a um de seus discípulos que ele não era um "Sábio", mas apenas alguém que amava a Sabedoria.
Para complementar: PHILO = AMOR, SOPHIA = SABEDORIA. Amor à sabedoria é algo anterior aos subsídios que a comprovem, logo filosifia é componente da ciência, mais que isso, é o embrião da ciência.
(3) Lucas 8:48
Jesus disse-lhe: "Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz."
(4) Êxodo 33:18-20
Moisés disse: "Mostrai-me vossa glória." E Deus respondeu: "Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor, o pronunciarei diante de ti o nome de Javé. Dou a minha graça a quem quero, e uso misericórdia a quem me apraz. Mas, ajuntou o senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não poderia me ver e continuar a viver.
(5) Paradoxo da Onipotência
Pode um ser onipotente criar uma pedra que não consiga erguer? Se não pode criar a pedra não é onipotente, se pode, deixa de o ser por não conseguir erguê-la.
Leandro Pereira
23-05-09
15:08 GMT-3
23/05/2009
ONISCIÊNCIA, ONPRESENÇA, ONIPOTÊNCIA
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